Com essa sintética manchete sensacionalista publicada em seu jornal Tribuna da Imprensa, Carlos Lacerda apressou o fim do Governo Getúlio Vargas em 1954. Lacerda, um ex-comunista que havia rompido com esse partido, alegando perigo de forte ditadura organizada, era crítico feroz do presidente “Gegê”, apelido carinhoso que a população lhe deu. Em 5 de agosto de 1954 Lacerda sofreu um atentado contra a sua vida, na rua Toneleiros, Rio de Janeiro, no qual veio a falecer o Major da Aeronáutica Rubens Vaz, seu companheiro. Havendo suspeitas de participação de membros da Guarda Getuliana, o próprio Getúlio decidiu pela abertura de um IPM (Inquérito Policial Militar), que foi presidido pelo então Ministro da Aeronáutica Brigadeiro Nero Moura. Rapidamente foi constatada a participação de membros dessa Guarda, notadamente o tenente Gregório, principal homem de confiança do presidente. Getúlio ao saber dessa conspiração desabafou: “Acho que estou sobre um mar de lama”!
A pressão sobre seu governo aumentava pedindo a sua renúncia e, não resistindo a desmoralização de seu nome, Getúlio Vargas cometeu o suicídio em 24 de agosto de 1954, sendo chorado por milhões de brasileiros.
Estaremos vivendo nós, hoje em dia, sob um autêntico “mar de lama”?
Está plenamente demonstrado que vivemos sob um “mar de corrupção”, em todos os setores da vida pública, seja com membros da Câmara Federal ou do Senado, seja com pessoas ligadas ao Executivo, seja com terceiros interessados em colocar as garras sobre o dinheiro público e, com essas ações, bilhões de reais desaparecem em mãos pegajosas de lama.
Mas os tempos são outros. Nenhum desses corruptos, desses ladrões do dinheiro público pensa em suicídio. Era só o que faltava, não? Suas mentes trabalham no sentido de varrerem para baixo dos tapetes da impunidade, toda a bandalheira em que estão envolvidos, tapando nossos já castigados olhos com a peneira da hipocrisia e muitos outros adjetivos que você possa encontrar em seu já desgastado dicionário.
Somente nos últimos tempos foram levantados roubos em vários setores, como na administração de aeroportos, em ONGs incumbidas de realizar trabalhos de alfabetização, até nas plataformas da Petrobrás, o INSS é seguidamente burlado, as licitações são mais fajutadas ainda, as empreiteiras se locupletam de verbas extras graças as ações maléficas de alguns políticos de mentes maquiavélicas e “otras cositas más”.
Nesse ínterim, as Leis feitas mais para liberar corruptos do que aprisioná-los, vão deixando os malandros livres para gozar de nosso rico dinheirinho. Eu até imagino que, lá entre eles, deve haver concursos e até comemorações, para ver quem mais consegue meter a mão no erário, quer dizer, na mala governamental.
O mar de lama continua impedindo a humanização de nossos costumes.
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